A TUA CARA PRECISAVA DE UM LIFTING (CRÍTICA A "A TUA CARA NÃO ME É ESTRANHA 4")

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A nova edição d'A Tua Cara Não Me É Estranha traz-nos tudo o que já vimos nas edições anteriores. Mas com um maior esforço para não fazer melhor.

O "seu programa de Domingo à noite" passa, doravante, ao Sábado. Esta é talvez a mais positiva novidade do programa de horário nobre apresentado por Cristina Ferreira e Manuel Luís Goucha. Porque, convenhamos, até então o serão da TVI ao sábado era ocupado por uma enxurrada de telenovelas, alimentando a sua fastidiosa programação semanal.


De resto, temos um Talent Show de imitações de cantores gasto, enrugado. Uma espécie de repetição de edições anteriores mas em doses mais racionadas: Agora, é passado em diferido, em jeito de falso cumprimento ao original espanhol Tu Cara Me Suena. Por consequência, o cantor vencedor de cada emissão já não é decidido pelos telespectadores, evitando-se por um lado as constantes e irritantes referências ao número de telefone de cada um dos participantes, mas não existindo mais nenhuma outra plataforma de interactividade para quem está em casa.


Os concorrentes, por seu turno, apresentam-se também na linha dos antecessores: temos os engraçadinhos, o menino bonito e dócil, um ou outro actor, a menina que já ninguém conhece mas que quer ver se arranja um lugar fixo no canal depois da participação no programa, e o cantor a sério que quer ganhar uns trocos. O problema é que este leque de famosos não possui nenhum factor diferenciador que, de uma forma ou de outra, existia nos concorrentes das edições anteriores.


Neles não medra magia original. Sente-se apenas o esforço nervoso que fazem para serem gostados e, alguns, até já nem têm pudor em desvendar por que estão no programa: Carolina Torres disse peremptoriamente que estava a participar no programa porque quer um lugar na TVI. E Jorge Mourato, aquando da apresentação dos participantes numa emissão do Você na TV!, não encontrou freios em dizer que o que fez aceitar o convite foi o dinheiro.


Até o painel de jurados vem mais amachucado e quebrantado. Desta vez, contamos apenas com Alexandra Lencastre, Luís Jardim e José Carlos Pereira. António Sala fica, pela primeira vez, de fora.


A realização e cenografia também surpreendem... por não surpreender. Sendo este um programa gravado, esperava maior cuidado nos planos apresentados e nos movimentos de câmara. Mas o que vemos é um bocejo para a vista, pintalgado por uns abanões desajeitados nas câmaras. Ademais, as cores e os adereços que suportam as actuações são escassos e pouco inventivos.


Por fim, até nos apresentadores encontrei um certo desconforto. As entrevistas de Cristina Ferreira aos convidados foram pautadas por uma timidez e prisão de ventre desagradável para o telespectador e não notei na dupla o divertimento genuíno e quase louco que havia no passado.


Talvez seja natural. Com o passar do tempo, ficamos mais desgastados, frouxos, engelhados. Mas, se é o caso, então que se abrace essa nova fase e não se tente imitar o que já se fez de bom. O programa serve para imitar cantores; não edições passadas.
Caso contrário, parece que estamos perante aqueles velhos que usam os casacos pelas costas, sem enfiarem as mãos nas mangas, porque no tempo da juventude deles era cool. Mas que agora é só ridículo.

A Tua Cara Não Me É Estranha é transmitido aos Sábados, às 21:30h, na TVI.

Classificação: *


*
☆☆☆☆☆- Péssimo
★☆☆☆☆- Mau
★★☆☆☆- Razoável
★★★☆☆- Bom
★★★★☆- Muito Bom
★ - Excelente

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